Dica do Réu: Alberta Hunter, a enfermeira do Blues

A lenda teria gravado mais de 80 sessões antes de 1930

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Alberta influenciou um geração inteira de cantores e músicos de blues, entre eles Louis Armstrong e Sidney Bechet

Salve, zycas! O álbum que apresento hoje a vocês foi comprado em um sebo no Rio de Janeiro e, pela sua importância, não custou literalmente nada! Este é o LP “Amtrak Blues”, disco de 1978 que marca o retorno Alberta Hunter ao mundo artístico, após ter ficado mais de 11 anos longe dele. O mais interessante nesse álbum, galera, é que, quando ele foi lançado e gravado, Alberta já tinha mais de 80 anos. Isso mesmo, ela nasceu em 1895. 

Alberta resolveu suspender a aposentadoria para voltar aos palcos... Não queria se “perder ao levar uma vida mansa” como ela dizia. No período em que ficou longe da música, Alberta foi enfermeira e se dedicou intensamente ao ofício, mesmo sendo uma pessoa conhecida dentro e fora dos Estados Unidos!

O disco tem vários pontos de destaque. Com uma banda magnífica e uma qualidade de gravação acima dos padrões da época, o disco se destaca por carregar um blues bem pra cima. As principais  canções do play são “Sweet Georgia Brown”, “Always”, “Amtrak Blues” e “The Darktown Strutters Ball”.

Alberta - que no início da carreira cantou em casas de shows de brancos - influenciou um geração inteira de cantores e músicos de blues, entre eles Louis Armstrong e Sidney Bechet. É compositora da famosa "Downhearted Blues", imortalizada por Bessie Smith, e, segunda a lenda, gravou mais de 80 sessões, sides, lados de discos [...] antes de 1930!

Talvez pelo seu repúdio à guerra, Alberta tenha seguido carreira na enfermagem. O que ela não sabia é que seria uma das curadoras das almas e padrões de milhares de negros norte-americanos, que conheceriam esse gênero, que em sua época nem tinha esse rótulo ainda.

Bora viajar…

Darktown Strutters Ball

 

Amtrak blues

 

Always

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