Conheça álbum brasileiro que teria sido precursor do afrobeat

Krishnanda, obra prima de Pedro Sorongo, influenciou a Tropicália e ainda faz sucesso pelo mundo

Pedro Sorongo: percussionista, ritmista, compositor, filósofo e inventor de instrumentos

Sabe qual é o álbum brasileiro, lançado há 47 anos, que ainda hoje faz sucesso em festas por todo mundo? Não? Pois bem, foi também essa a resposta que ouvi de amigos que conhecem, pesquisam e adoram as raridades da música brasileira.

Por isso, resolvi escrever sobre o percussionista, ritmista, compositor, filósofo e inventor de instrumentos, Pedro Sorongo Santos, falecido em 1993, cuja obra está vivíssima! Ele ressurgiu por meio de regravações feitas por Bixiga 70, Mariana Aydar, Seu Jorge, Kassin, entre outros, e faz sucesso pelo mundo.

Em 1968, Pedro Sorongo gravou seu único álbum solo, Krishnanda, que já pela capa mostra que não é um álbum comum. Como bióloga, fui atraída pelo subtítulo “De onde viemos e o que somos na escala da vida?” - e pelas imagens que fazem referência à linha evolutiva da vida. Mas foi na audição que o álbum me surpreendeu. Muito além da técnica, cada faixa apresenta uma construção sonora muito particular.

Krishnanda foi um álbum vanguardista e por meio de uma entrevista dada ao jornal Correio da Manhã, também em 1968, o próprio artista explica como funcionava seu processo criativo: “é preciso romper o conflito que nos inquieta sem nos preocuparmos com o meio que nos cerca, fugindo das clássicas fórmulas de produto do meio”.

Pesquisando, vi que críticos apontam Pedro Sorongo como precursor do afrobeat, já que os primeiros álbuns de Fela Kuti, Live e Why Black Man Dey Suffer, sairiam após Krishnanda, apenas em 1971. Além disso, foi uma grande influência para os tropicalistas dos anos 60, tendo tocado ao lado de Gilberto Gil e Maria Bethânia.

Gênio percussivo

Portador de criatividade ímpar e genialidade musical, Pedro tirava som de qualquer objeto que tocava. Ele criou diversos instrumentos como o bambussom, o berimboca, a criançola (usando os brinquedos de sua filha) e os 5 tambores, com o qual criou um novo ritmo, que lhe rendeu seu nome artístico: Sorongo. Isso mesmo, ele criou um ritmo próprio! 

Pedro gravou com muitos nomes conhecidos, como Sebastião Tapajós, Jacob do Bandolim, Baden Powell, Clara Nunes, Milton Nascimento e Maria Bethânia. Na gravação de 1961, Ângela Maria canta o Sorongo.

 É difícil entender como essa sonzeira ficou tanto tempo longe dos nossos ouvidos. Pedro Santos e sua obra merecem o quanto antes ganhar o reconhecimento devido.

Você pode saber mais sobre este gênio da música brasileira no Blog Pedro Sorongo, criado e mantido pela filha do músico, Lys Araújo. Lá você pode conhecer mais sobre sua biografia e discografia, além de ver instrumentos, fotos e composições dele. O facebook do músico pode ser acessado em https://www.facebook.com/Pedro-Sorongo-178211742217584/

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