No Dia da Mulher Negra e Latina, celebre com música!

Saiba mais sobre a vida e a música de cinco grandes cantoras negras e latinas

Dona Ivone Lara, hoje com 94 anosNeste sábado (25/7), é comemorado o Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha. A data foi escolhida em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres afro-latino-americanas e caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana.

No Brasil, o 25 de julho foi instituído como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, após sanção da Lei nº 12.987/2014, pela presidenta Dilma Rousseff. Tereza de Benguela viveu durante o século 18 e foi líder quilombola, tornando-se figura importante na resistência à escravidão.

Essa é mais do que uma data comemorativa: é um marco internacional da luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe. Na música, é enorme o número de mulheres de peso. O Moozyca selecionou cinco mulheres negras e latino-americanas que muito trouxeram para o mundo da música. Para ouvir hoje e sempre!

Dona Ivone Lara, aos 94 anos recém-completados, tornou-se a primeira mulher a entrar para a ala de compositores de uma escola de samba do grupo especial, em 1965, no caso a Império Serrano, que defendeu naquele Carnaval o samba “Os Cinco Bailes da História do Rio”, composto por Ivone, Bacalhau e Silas de Oliveira. Porém, sua carreira só foi iniciada oficialmente em 1970. Aos seis anos de idade, ficou órfã de pai e mãe. Estudou no internato do Colégio Orsina da Fonseca, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, onde permaneceu até os 16 anos. Aos 12 anos, foi presenteada pelos primos e futuros parceiros, Hélio e Fuleiro, com um pássaro "Tiê-sangue". O nome do pássaro e a expressão "Oialá-oxa", herdada da avó moçambicana, serviram de inspiração para o primeiro samba de partido-alto: "Tiê, Tiê".

Em 1974, lança seu primeiro disco "Samba minha verdade, samba minha raiz", pela gravadora Copacabana. Em 1998, recebe homenagem dos franceses no Festival Latino promovido pela Eurodisney, na França. No final dos anos 1990, participa do festival Panafest 99 em Gana, na África e recebeu a Medalha Pedro Ernesto da Vereadora Jurema Batista, na Câmara  dos Vereadores da Cidade do Rio de Janeiro. A seguir, ouça “Tiê”, “Alguém me avisou” e “Sonho meu” com Dona Ivone Lara e Paula Lima.

Omara Portuondo nasceu em 29 de outubro de 1930, em Havana, em Cuba. Ela se apresentou com sua irmã, Haydee, em clubes Havana e formaram o grupo Cuarteto d'ainda, tendo vivido nos EUA e na Europa. Omara voltou a Cuba após a revolução e continuou a fazer música. Ela cantou no álbum de sucesso Buena Vista Social Club em 1997, ajudando o grupo cubano a ganhar a enorme notoriedade que obteve. Muitas vezes, é comparada a Billie Holliday e Edith Piaf pela sua expressividade musical. A seguir ouça a música “Tal Vez” na voz de Omara Portuondo e Maria Bethânia.

Mercedes Sosa nasceu em San Miguel de Tucumán, na província de Tucumán, no noroeste da Argentina. Em 1961 grava seu primeiro álbum, intitulado "La voz de la zafra 1" (publicado em 1962). Em seguida, uma performance no Festival Folclórico Nacional faz com que se torne conhecida entre os povos indígenas de seu país. Sosa e seu primeiro marido, Manuel Óscar Matus, com quem teve um filho, são peças chave no movimento musical da década de 1960 conhecido como nueva canción. Em 1965 lançou o aclamado Canciones con fundamiento, uma compilação de músicas folclóricas da Argentina. Em 1967 faz uma turnê pelos Estados Unidos e pela Europa e obtém êxito internacional. Em 1970 grava Cantata Sudamericana e Mujeres Argentinas com o compositor Ariel Ramirez e o letrista Felix Luna. Em 1971 grava um tributo à cantora e compositora chilena Violeta Parra, ajudando a popularizar a canção "Gracias a la vida". Mais tarde grava um álbum em homenagem a Atahualpa Yupanqui. Veja a seguir "Volver a los 17" com Mercedes e Milton Nascimento.

Nina Simone nasceu em 1933 nos Estados Unidos. Foi uma cantora de jazz e blues, compositora, pianista e grande ativista pelos direitos civis dos negros. Tinha mais sete irmãos, seu pai era marceneiro e sua mãe empregada doméstica. Nina treinou durante sua infância para ser pianista clássica, mas foi recusada por causa da sua cor em institutos de artes onde morava. Então se mudou para Nova Iorque, onde adotou o nome artístico para poder começar sua carreira tocando em bares escondida de seus pais.

Devido ao seu envolvimento com a causa, cantou no enterro de Martin Luther King. Gravou para o álbum Pastel Blues (1965) a canção Strange Fruit, de Billie Holiday, uma canção sobre o linchamento de homens negros no sul. Também cantou o poema Images, de William Waring Cuney, em Let It All Out (1966), sobre a falta do senso de orgulho que viu entre as mulheres afro-americanas. A artista esteve duas vezes no Brasil, onde gravou “Pronta pra cantar (Ready to sing)” com Maria Bethânia em 1990, e seu último show ocorreu em 1997 no Metropolitan. Infelizmente a artista faleceu em 2003 devido ao câncer de mama e seus principais singles de sucesso são: “I put a speel on you“, “Feeling Good“, “Aint Got No – I Got Life”, “I Wish I Knew How It Would Feel To Be Free” e “Here Comes The Sun”.

Miriam Makeba nasceu na África do Sul, em 1932 e faleceu em 2008. Apesar da sua canção “Pata pata”, que está entre os grandes sucessos da música africana, na segunda metade do século passado, poucos sabem que essa Mama África tenha se tornado uma figura-chave no desenvolvimento musical e social do continente. Além de ser uma pioneira na mistura de jazz com ritmos tradicionais da África do Sul, ela emergiu como uma das figuras mais importantes na luta contra o apartheid e na defesa dos direitos civis, motivos pelo quais teve que viver no exílio por mais de três décadas. Sua história de vida, certamente, merece um lugar de honra entre as primeiras (e ativistas) da música africana.

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