Psicodelia e pop melancólico dão tom ao show de Lee Ranaldo and The Dust em SP

No Largo da Batata, fãs de Sonic Youth se reuniram para apreciar o trampo solo do guitarrista

Pra quem não conhece o Lee vale lembrar que o cara tá na cena nova-iorquina desde 1981, quando participou do álbum

Chegamos às 20h. O show do Lee estava marcado para às 21h e, naquela hora, no palco, o Cidadão Instigado se apresentava. Confesso que não gosto muito da banda, por isso procurei um bar pra tomar uma cerveja enquanto o show do Lee não começava.

Do meu lado um carro (daqueles com mil módulos e potência de som infinita) tocava arrocha em looping eterno. Sai de lá com algumas musicas na cabeça, mas isso fica pra outro post...

Perto das nove, deixei o bar e me posicionei próximo ao palco. Pontualmente, às 21h, o ex-guitarrista do Sonic Youth entrou em cena. Antes de tudo, ao melhor estilo da banda que o consagrou, fez barulho; só depois de tocar a primeira música agradeceu ao público pela presença e chamou atenção pra beleza daquela noite. "Temos uma lua cheia lá em cima", disse.

Alguns acordes depois e todos já estavam hipnotizados pelo som do guitarrista. A maior parte do público ali presente não conhecia nem Sonic Youth, muito menos o trampo solo do Lee. Resumindo, ninguém sabia cantar nada. Sem hit famoso. Sem Love of My Life em coro na "cidade do Rock".

Ia ter que ser na raça, Lee teria que conquistar aquele público no braço, de verdade. E ele conseguiu. As pessoas, mesmo sem conhecer as músicas, balançaram a cabeça e dançaram em transe levados pela psicodelia do som.

O trampo solo do guitarrista tem uma forte pegada de pop e grunge, sem deixar de lado o barulho, as microfonias e a dissonância do no wave.

O repertório do show, tirando uma ou outra antiga do Lee e um cover do Neil Young, foi composto principalmente por músicas do último álbum de estúdio dele, o "Last Night on Earth", de 2013.

Já ouviu alguma coisa desse álbum? Não? Então se liga nesse som, Ambulancer, que dá o tom do trampo do cara:

Para o delírio dos fãs de Sonic Youth, a bateria foi comandada por Stevie Shelley e seus timbres únicos e inconfundíveis. O cara já tá velhinho mas é um mito... Ninguém tira o timbre que ele tira daquela caixa, meu irmão. Incrível. No baixo, Tim Lüntzel segura a cozinha da banda, enquanto Licht leva a segunda guitarra nas costas.

Uma coisa que pode parecer muito estranha pra quem não conhece o Lee é que ele troca de guitarra toda música - foram sete ou oito que se revezaram nas mãos dele. Sabe pq? Primeiro pq ele quase nunca usa a mesma afinação, e segundo pq o cara é obcecado pela perfeição nos timbres.

Quem já viu um show do Sonic Youth sabe do que estou falando. Cada música (e consequentemente cada guitarra) tem um timbre diferente. Outra curiosidade é que lá pra sexta ou sétima música do set rolou uma referência sublime a Bossa Nova na levada dos sons, algo que pouco gente notou também. Ele já falou algumas vezes sobre sua paixão por música brasileira, especialmente pela Tropicália, então não é tão estranho ouvir o resultado dessa influência. As imagens do telão atrás da banda, totalmente sincronizadas com as músicas, foram um caso a parte... Muito bom.

Pra quem não conhece o Lee vale lembrar que o cara tá na cena nova-iorquina desde 1981, quando participou do álbum "The Ascension", da lenda do no wave Glenn Branca. Nunca ouviu falar de Glenn Branca? Então se liga nesse link full album do "The Ascension":

O show fez parte do Mês da Cultura Independente, organizado pela Secretaria de Cultura de São Paulo. Bom, fim de papo. Semana que vem tem mais Na Rua! É noiz, zyca!

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