"Derivacivilização", segundo CD de Ian Ramil, é marcado por letras ácidas

Álbum traz críticas à sociedade e a comportamentos individuais contemporâneos

Foto - Matheus Costa

Se você ainda não conhece Ian Ramil, deveria. O artista, que teve seu primeiro álbum muito bem recebido pelo público, acaba de lançar o seu segundo registro de inéditas, o “Derivacivilização”.

“Derivacivilização” está bem diferente do primeiro disco do músico, a começar pela capa, onde cores densas e imagens espessas ganham vida. Cenário bem distinto do apresentado no primeiro CD, em que a capa tem cores mais leves e imagens menos, digamos, delirantes.

Escute aqui:

O álbum permeia temas de cunho muito mais engajado, abordando críticas à sociedade e a comportamentos individuais contemporâneos; também fala sobre a influência que entidades públicas e privadas exercem sobre as pessoas. Temas muito pouco explorados no primeiro registro do artista, onde o pop, a leveza e um pouco de experimentalismo prevaleciam.

Ainda assim, podemos encontrar alguns resquícios dos temas apresentados em seu primeiro CD, como na faixa “Devagarinho”, que tem uma letra e um arranjo carregados de leveza e romantismo – bem diferente do restante do álbum.

Já a canção Artigo 5º, que, como o próprio título sugere, trata do Artigo 5º da Constituição Brasileira, diz mais sobre essa fase de Ian. A música tem um tom altamente crítico, exprimindo a ideia, compartilhada por muitos em nosso país, de que quem está no poder, está acima da lei. Em seguida, em A voz da indústria, o artista faz uma dura crítica à opressão industrial e à massificação que ela impõe.

Outra característica bem marcante deste álbum é a intensificação da experimentação, muito mais acentuada que no primeiro registro. A penúltima faixa da obra, Rita-Cassete (A Re Par Ti Ção), é piração total, com reverberações, ruídos, descontinuidades, intervenções e otras cositas más.

O álbum conta com participações especiais de Gutcha Ramil, Filipe Catto e Alexandre Kumpinski (vocalista da banda Apanhador Só) - este último já possui composições em parceria com Ian.

De modo geral, “Derivacivilização”, apresenta um trabalho com a assinatura de Ian Ramil. Os temas discutidos possuem um teor crítico e perturbador, porém mantém a qualidade esperada e evidenciada em “IAN”. Um trabalho conciso e coerente. Lembrando que o álbum está disponível nas plataformas de streaming e para download grátis no site do artista.

Ian nasceu em uma família musical. Sobrinho de Kleiton e Kledir, e filho de Vitor Ramil, vem provando que o sobrenome carrega qualidade. Mesmo a família possuindo outro estilo de fazer música, o artista mostrou sua personalidade e evidenciou um estilo próprio, uma identidade forte, bem diferente do restante da família.

Seu primeiro trabalho, “IAN” (2014), foi muito bem recebido, chegando a ser premiado pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como “Revelação do Ano em Música Popular”.

Bom, se fosse você, daria o play no álbum já!

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