Biografia do cantor Geraldo Vandré narra a trajetória de um mito da música

Trabalho do jornalista Vitor Nuzzi retrata artista conhecido como cronista da realidade

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Obra narra passagens da vida do músico, cantor e compositor paraibano Depois de quase dez anos de pequisa e mais de 100 entrevistas com pessoas que cercaram Geraldo Vandré, um dos compositores mais enigmáticos da música brasileira, o jornalista Vitor Nuzzi lançou, em parceria com a Kuarup, a  biografia "Geraldo Vandré – Uma Canção Interrompida", que cheopu às livrarias em dezembro.

A obra narra passagens da vida do músico, cantor e compositor paraibano que começou a carreira na bossa nova e se destacou nos festivais de música nos anos 1960. Do auge até o momento em que decidiu se exilar no Chile (durante o regime militar), Nuzzi conta a história do artista que se definia como um cronista da realidade, esmiuçando momentos nebulosos de sua trajetória, como seu regresso ao Brasil, em 1973, e o "não-retorno" de Vandré aos palcos após o exílio.

O compositor ganhou notoriedade com composições como “Disparada”, que venceu o Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1966; “Fica Mal Com Deus”;  e  “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”, segunda  colocada no Festival de Música Internacional da TV Globo em 1968. Esta última, inclusive, teria sido derrotada a pedido do alto comando do 1.º Exército. Acabou se tornando um hino de resistência do movimento civil e estudantil em oposição à ditadura militar.

Após a polêmica das biografias não-autorizadas, que dificultou o lançamento de "Geraldo Vandré – Uma Canção Interrompida", o livro chega ao mercado - com cuidadoso trabalho de pesquisa de Nuzzi - para ir além da ideia do mito Geraldo Vandré. A obra oferece aos velhos e aos novos fãs a oportunidade de (re)conhecer a obra do paraibano.  

Fundada em  1977, no Rio de Janeiro, a Kuarup é uma das principais gravadoras do país. Especializada em música brasileira, traz no catálogo choro, música nordestina, caipira, sertaneja, MPB, samba, instrumental, entre outros gêneros. O ideal da empresa é a produção de discos que unam integridade cultural com excelência artística. As obras são criadas por ela para agradar, mas também são comerciais no melhor sentido da palavra. No início de 2010, a gravadora se mudou para São Paulo e, no momento, retoma com força o seu principal objetivo: colaborar com a construção da história da música brasileira.

Ouça “Disparada”, que venceu o Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1966:

Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores foi tema da luta contra a ditadura militar:

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