Aos 78 anos, Elza Soares lança primeiro álbum de inéditas da carreira

Com composições de alto nível, “A Mulher do Fim do Mundo” é um presente para os fãs da cantora

“A Mulher do Fim do Mundo” marca o encontro desta antológica intérprete da canção brasileira com a nova safra de compositores e músicos atuais do país

Uma mulher com uma história de vida admirável, cheia de percalços e superações. Uma mulher que rompeu barreiras e deixou sua marca na história da música nacional. Uma mulher com uma voz ímpar, que deslumbrou todos que se atentaram ao talento. “A Mulher do Fim do Mundo”, Elza Soares.

Elza teve um começo de vida bastante conturbado e cheio de obstáculos. Desde criança trabalhava para ajudar no sustento da família. Aos 13 anos participou do programa de Ary Barroso na Rádio Tupi, onde revelou a todos o grande potencial que tinha como cantora.

Desde seu primeiro lançamento, Se acaso você chegasse (Odeon, 1960), uma canção do mestre Lupicínio Rodrigues, Elza apresentou em sua memorável trajetória grandes sucessos que ficaram imortalizados pela sua interpretação, como a bela “Boato”, de João Roberto Kelly, gravado no álbum “A Bossa Negra”, de 1961.

Agora, com nada menos que 78 anos, Elza Soares lança pela primeira vez na carreira um disco só de inéditas, o fantástico “A Mulher do Fim do Mundo”. O álbum é intenso, visceral,com um teor de desabafo nas composições, que, é claro, manifestadas pela forte voz de Elza ficam ainda mais carregadas de crueza e vigor.

O CD, como um todo, é muito bem construído em seus temas e contextos, desde a primeira faixa,  Coração do Mar, em que Elza declama sobre a porção do mar não conhecida pelo homem, e enuncia belas comparações sobre tais águas. Já na sétima faixa, Firmeza, que tem participação de Rodrigo Campos, rola uma conversa cheia de informalidade entre dois conhecidos, mas que, em uma das interpretações possíveis, marca a falsa e efêmera preocupação com o outro.

A faixa que dá nome ao álbum, A Mulher do Fim do Mundo, constrói um ambiente cheio de imagens que remetem ao fim do mundo, como no trecho “as asas de um anjo soltas pelo chão”, porém aludindo este “fim do mundo” com o término dos desfiles de carnaval, como no trecho “na chuva de confetes...”. Apesar deste fim de festa narrado, o eu-lírico da canção exprime toda sua vontade de continuar cantando, insistindo, gritando e berrando na avenida.

O álbum conta com a participação de grandes nomes do cenário musical contemporâneo, como Kiko Dinucci, Rodrigo Campos, Romulo Froes, Marcelo Cabral (integrantes da banda Passo Torto), José Miguel Wisnik (com composições), Celso Sim, entre outros.

“A Mulher do Fim do Mundo” marca o encontro desta antológica intérprete da canção brasileira com a nova safra de compositores e músicos atuais do país. Com composições dotadas de personalidade e uma voz de poderio incomparável, Elza Soares prova que ainda está viva, e muito viva.

Salve, Elza!

ps: não conta pra ninguém, mas aqui tem um full álbum maneiro:

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