30 anos de Os Mulheres Negras! “O Gordo e o Magro” da música brasileira

Neste ano a formação original da banda, que marcou época no Brasil, completa 30 anos

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Que os EMÊENÊ se entendam e continuem apresentando seu repertório espetacular, e por que não algum material novo?

Na década de 1980, formou-se no Brasil, mais especificamente em um laboratório em Santa Cecília, a terceira menor big band do mundo, composta por dois artistas brancos, um gordo e um magro, e denominada Os Mulheres Negras.

Essa descrição, feita pelos próprios integrantes da banda, é um sincero cartão de visitas sobre o que Os Mulheres Negras se propõem a fazer. Formada por Maurício Pereira (voz e saxofone) e André Abujamra (voz, guitarra e teclado), a banda descortina não somente um modo de fazer música inovador, mas uma performance como um todo. Tudo é curioso e singular no trabalho dos caras.

A começar pelo vestuário: o uniforme titular dos músicos era um sobretudo (preto para André e bege para Maurício) e um chapéu-coco de palha, que dava uma identidade excêntrica e cômica para a banda. Fora isso, ainda sem falar da música, eles protagonizavam cenas de humor, contando histórias que arrancavam risadas da plateia. Cada apresentação dos Os Mulheres Negras era diferente... sempre dotadas de improvisações, mesmo que controladas.

As composições da banda são irreverentes, tanto nas letras, como nos arranjos. As letras são providas de humor, como na música Xarope, a Levada, em que o lema repetido é “o nosso objetivo é fazer música pop e quem sabe algum dia ficar rico e xarope”. Contudo, há letras também com um conteúdo mais sério, como Eu vi - uma história de preconceito vivenciada pelos músicos.

A respeito dos arranjos das canções, as músicas eram feitas com, além do saxofone e da guitarra, equipamentos eletrônicos, como samplers, bateria eletrônica, sintetizadores e pedais conferiam volume à “big band”, complementando o som mirabolante do duo.

Qual o gênero da música tocada pela banda? Gênero Mulheres Negras. Tem lambada, baião, jazz, funk e uma pitada de pop. Esse pop tão incrível e cientificamente desenvolvido pelos músicos, injetado em todas as suas composições. Além das composições próprias da dupla, em seu repertório havia também covers, como a épica versão de Summertime, de George Gershwin, e paródias como a notável Sub, que homenageia Yellow Submarine, dos Beatles.

A banda teve dois discos gravados e comercializados, “Música e Ciência”, de 1988, e “Música serve pra isso”, de 1990. Ambos gravados pela grande Warner e lançados em vinil (vale lembrar que também estão disponíveis nas plataformas de Streaming). Em 2001, a Warner relançou ambos os discos em CD, porém em baixo volume, fazendo com que esgotasse as tiragens rapidamente.

Em 1991, a dupla resolveu se separar, e cada um seguiu seu caminho. André formou a Karnak, que teve alguma repercussão, e alguns projetos solo, como seu último CD, o interessante “O Homem Bruxa”. Maurício não ficou por baixo, além de integrar a banda Natra Tocatudo, realizou fascinantes projetos solo, como seu último CD: “Pra Onde Que Eu Tava Indo”.

Em 2012, finalmente finalizou-se este hiato e os dois se juntaram para realizarem shows pelo Brasil... Hoje em dia, se reúnem eventualmente para agraciar ao público com toda sua genialidade e originalidade. Infelizmente um grupo tão talentoso proveniente do cenário musical brasileiro como Os Mulheres Negras é muito pouco prestigiado em solo tupiniquim.

Trinta anos de Os Mulheres Negras! Que os EMÊENÊ se entendam e continuem apresentando seu repertório espetacular, e por que não algum material novo?

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