“Lagartixa e smurf são as únicas danças de rua genuinamente paulistanas”

Encontro no Viaduto do Chá juntou expoentes dos estilos em reunião histórica

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Paulinho Smurf (direita) e Ivo Alcantara relembram momentos históricos e fotografias emblemáticas durante o encontro

Em meados dos anos 1980, diversos estilos de danças de rua, embalados pelo rap, tomaram conta da capital paulista. Mas, dentre eles, apenas dois têm origem genuinamente paulistana: o lagartixa e o smurf. 

E pra saber um pouco mais sobre a história destes estilos, o Moozyca foi ao Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo (CRDSP) – que funciona em um espaço localizado no centro da cidade, debaixo do Viaduto do Chá. Lá, encontramos Ivo Alcantara, Duh França, Edgar Marques e Paulinho Smurf, expoentes dos estilos lagartixa e smurf em São Paulo, em um bate-papo aberto ao público com o tema “Memórias da Dança Urbana Paulistana”.

O smurf era discriminado nos picos, tá ligado? Diziam que a gente não representava o rap, que o rap era só pra quem dançava break... Hoje vemos como nosso movimento foi importante...

É o primeiro encontro, organizado pelo CRDSP e pelos coletivos Sampa Cinza City e Psyco Crew, com a intenção de resgatar a história das danças urbanas de São Paulo, que ficaram esquecidas com o tempo. A diretora da Cooperativa Paulista de Dança (Coopdança) e orientadora do coletivo Psyco Crew, Penha Silva, destaca que estes encontros são fundamentais no processo de valorização da cultura local.

“Lagartixa e Smurf são as únicas danças de rua genuinamente paulistanas. Hoje vemos grupos brasileiros de dança que, em competições no exterior, dançam estilos gringos ao som de músicas gringas... Pô, por que não dançar lagartixa ou smurf com músicas do Thaíde e Dj Hum, por exemplo? Nada contra os estilos estrangeiros, mas acho que devemos valorizar mais nossas raízes... A gente tem muita coisa boa pra mostrar”, diz a diretora.

Durante o evento, Duh França, que é agente cultural e um dos expoentes do estilo lagartixa em São Paulo, explicou que o estilo “é uma evolução de outro, chamado função... O função era mais travadinho, passinhos curtos e pá. Era pra todo mundo conseguir acompanhar... Isso no meio dos anos 1980, mais ou menos. Mas, com o tempo, a galera foi sofisticando a parada, aí surgiu o largatixa. Mais pra frente, com a criação das competições, os caras foram incluindo mais elementos no estilo, tornando a dança ainda mais quebrada, difícil”.

Representando o estilo smurf, também criado em São Paulo, o gerente de loja Paulinho Smurf falou sobre a dança que leva no nome até hoje. “O smurf era discriminado nos picos, tá ligado? Diziam que a gente não representava o rap, que o rap era só pra quem dançava break... Hoje vemos como nosso movimento foi importante... Valeu a pena insistir”. Segundo Paulinho, o auge do smurf, assim como o do lagartixa, foi no fim da década de 1990.

Por fim, a diretora da Coopdança Penha Silva destacou que o encontro é apenas o ponta pé inicial para retomar os debates sobre as danças urbanas de São Paulo e que “em breve outras reuniões serão agendadas”. Penha disse também que o Coletivo Sampa Cinza City está produzindo um vídeo sobre a história das Danças Urbanas em São Paulo - um oasis em meio a falta de informações sobre o tema.

Pra quem curte dança e quer se especializar, aqui vai a programação completa do Centro de Referência em Dança de São Paulo: http://www.crdsp.com.br/p/blog-page_9.html

Bom, é isso rapaziada, semana que vem tem mais “Na Rua” aqui no Moozyca ;)

Opa, pera aí... Não faz a mínima ideia do que é lagartixa? Então assiste esse vídeo:

 

ps: o smurf é tão underground que a gente nem consegue achar vídeos na internet, se alguém tiver manda aí :/

 

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