"Quero despertar a curiosidade da molecadinha e tirar eles do funk ostentação"

Organizador do projeto "Lado Norte, Lado Forte" defende aproximação entre hip hip e comunidade da periferia

Zoioomc Subterrâneo fez a apresentação mais explosiva do evento | Crédito: Felipe Silva

Bate-cabeça, danças de rua, DJs, banda, MC's, crianças, jovens, adultos, idosos, skatistas e amantes do hip hip. Tudo isso junto, como um organismo vivo, em frente à Casa de Cultura Salvador Ligabue, na Freguesia do Ó, periferia da zona norte de São Paulo. A celebração, que ocorreu neste sábado (21/11), teve um motivo especial: o encerramento do projeto Lado Norte, Lado Forte.

"Desde o ano passado estamos fazendo uma série de eventos gratuitos aqui na quebrada. Nossa ideia é aproximar o hip hop da comunidade, tá ligado? Despertar a curiosidade na molecadinha, mostrar pra eles que é possível se expressar sem ter que cantar 'funk ostentação', que faz apologia a drogas, à violência e sensualiza crianças", diz Will Fort, rapper e, ao lado de Carol Fortunato e DJ Preto Rap, organizador do evento.

Tô só vendo os boy querendo dominar o rap. Eles pensam que eu não tô vendo, tio. Mas o rap é favela, é periferia, tá ligado?

Segundo Will, os eventos são sempre realizados em locais abertos e com artistas locais. "Tem muita gente boa fazendo música aqui na quebrada, não só no rap, sabe? Então nosso objetivo é fazer com que essa galera divulgue seu trabalho fora da internet, pra que as pessoas daqui conheçam a música deles", destaca Will.

Além de dar espaço a artistas da quebrada, o projeto também traz nomes de peso para chamar a atenção da população. "Conseguimos apoio da prefeitura neste ano e, com isso, tivemos a oportunidade de trazer alguns artistas de renome, como De Menos Crime e Cagebe, que ajudam a chamar público. Hoje, no encerramento, trouxemos o Thig, que arrebentou", aponta o organizador.

O show de encerramento do projeto começou por volta das 16h. Aos poucos, as pessoas começaram a se reunir para ouvir o set do zyca das pick-ups, DJ Kokay, que abriu o evento. Mais tarde, Will Fort subiu ao palco. Depois, com a banda Funk-se, Mano Réu se apresentou com seu rap engajado, sempre falando sobre as lutas do povo negro e exaltando a beleza da cultura hip hop.

Além deles, Tião, Jader Oliveira, Agíria, Betox, Maderit e Zoioomc Subterrâneo (que fez a apresentação mais explosiva do evento) se apresentaram a um público empolgado - que dançou e cantou cada canção. Fechando a noite, Thig, ex-Relatos da Invasão, entoou clássicos como Jaçanã Picadilha ao lado do seu parceiro André Atila. Bom, amigos, de minha parte, digo que foi um prazer presenciar a cultura hip hop viva, feita pessoas da periferia para pessoas da periferia. Como disse o Thig durante o show: "tô só vendo os boy querendo dominar o rap. Eles pensam que eu não tô vendo, tio. Mas o rap é favela, é periferia, tá ligado?". Né não? ♫ ♪ É isso mesmo, isso mesmo ♫ ♪, Thig.

Então, pra terminar o artigo, vamos com a pesadíssimo Jaçanã Picadilha, música que fechou o evento!

É noiz!

Relatos da Invasão
Jaçanã Picadilha 

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